Palavra de Deus e Desenvolvimento
Intenção geral de oração do Papa para o mês de Setembro «Que nas regiões menos desenvolvidas do mundo, o anúncio da Palavra de Deus renove o coração das pessoas, animando-as a serem protagonistas de um autêntico progresso social». [Intenção Geral de Oração do Papa para o mês de SETEMBRO]
O Senhor que «ama a vida» deseja iluminar, guiar e confortar, com a sua Palavra, a vida dos crentes em todas as circunstâncias, no trabalho e na festa, no sofrimento, no lazer, nos compromissos familiares e sociais e em cada situação da vida, de modo que cada um possa discernir em cada passo e optar pelo que é bom, reconhecendo assim a vontade Deus e pondo-a em prática.
1. O poder da Palavra de Deus
«Toda a Escritura é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça» (1 Tm 3, 16).
A Palavra de Deus possui em si uma força extraordinária, já que é a maneira de Deus se dirigir a nós, comunicando a sua própria força: «Assim como a chuva e a neve que caem do céu não voltam para lá, sem antes fecundar a terra (…) assim acontece com a Palavra que sai da minha boca; ela não volta para Mim sem ter produzido os seus efeitos» (Is 55, 10-11).
No decurso dos séculos, a Palavra de Deus entrou nas culturas, chegando a inspirar os vários âmbitos da sociedade. É nesta sociedade que a Palavra de Deus penetra como fermento, levando a força do Evangelho ao coração de todas as culturas para as purificar, elevá-las e transformá-las em instrumentos do Reino de Deus.
Afirma o Concílio Vaticano II, na Constituição Dei Verbum: «É tão grande a força e a virtude da Palavra de Deus que se torna apoio vigoroso da Igreja, solidez da fé para os filhos desta Igreja, alimento da alma, fonte pura e perene da vida espiritual» (21). E a Carta aos Hebreus declara: «A Palavra de Deus é viva e eficaz, mais penetrante que uma espada de dois gumes» (4, 12).
2. Nós e a Palavra de Deus
Mas não basta que a Palavra de Deus seja forte e eficaz em si; é necessário que nos abramos a ela, deixando que transforme o nosso coração, em ordem à nossa actuação, concretamente na vida social: «As estruturas humanas tornar-se-ão desumanas se as tendências inumanas do coração do homem não se acharem purificadas, se não houver uma conversão do coração» (Evangelii nuntiandi, 36).
Para que a Palavra de Deus tenha em nós a sua eficácia, é preciso assimilá-la, fazê-la plenamente nossa, «comê-la», como nos é dito no livro do Apocalipse. É isto que S. João nos diz na sua Primeira Carta: «Aquilo que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e o que as nossas mãos apalparam: falamos da Palavra, que é vida» (1, 1).
Dito doutro modo, é necessário aceitar a Palavra de Deus com fé e praticá-la: «Sede praticantes da Palavra e não apenas ouvintes, iludindo-vos a vós mesmos» (Tg 1, 22).
E na Exortação apostólica Christifideles laici, afirma-se: «Para poder descobrir a vontade concreta do Senhor sobre a nossa vida, são sempre indispensáveis a escuta pronta e dócil da Palavra de Deus» (58).
3. A Palavra de Deus e a nossa vida social
Para que a Palavra de Deus tenha todos os seus efeitos, é necessário que ela se concretize não só na nossa vida pessoal em geral, mas também na nossa vida no que diz respeito à sociedade onde vivemos inseridos, como cidadãos de uma determinada nação: «Qualquer programa de desenvolvimento deve tornar o homem capaz de, por si próprio, ser o agente responsável do seu bem-estar material, progresso moral e desenvolvimento espiritual» (Populorum progressio, 58).
Se todos são responsáveis e protagonistas do progresso social de uma nação, como muita maior razão o são os cristãos, como afirma a Constituição do Concílio Vaticano II Gaudium et Spes: «Os cristãos que desempenham parte activa no actual desenvolvimento económico-social e lutam pela justiça e pela caridade, estejam convencidos que podem contribuir muito para o bem da humanidade» (72).
E a já citada Exortação apostólica Christifideles laici sublinha: «Para animar cristãmente a ordem temporal, no sentido de serviço à pessoa, os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na “política”, ou seja, na múltipla e variada acção económica, administrativa e cultural, destinada a promover, orgânica e institucionalmente, o bem comum» (42).
A intenção de oração do Santo Padre para Setembro, mês em que em muitas igrejas celebram o mês da Bíblia, convida-nos a pôr a Palavra de Deus no centro da nossa vida e da nossa acção. Convida-nos a renovar a nossa confiança na força transformadora da Palavra, capaz de «fazer novas todas as coisas» (cf. Ap 21, 5), mesmo nas regiões menos desenvolvidas, melhor ainda, sobretudo nessas regiões do mundo.
António Coelho, s.j.
[Fonte: Apostolado da Oração]
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