A Igreja de S. Victor
«A Igreja de S. Victor ocupa um lugar de grande destaque entre os múltiplos monumentos de arquitectura religiosa existentes em Braga. Podemos mesmo dizer que é a maior e mais importante das igrejas paroquiais da cidade. Do ponto de vista da arquitectura é a mais bela; e é, também, a que tem o melhor conjunto de azulejos» (Eduardo Pires de Oliveira, Braga 2001).
O actual edifício da Igreja é a reconstituição de edifícios anteriores. Como se pode ler no exterior da Igreja, começou a ser construída no ano de 1686, por ordem do Arcebispo de Braga, D. Luís de Sousa que acabou por falecer antes de ter terminado a edificação. Segundo a sua vontade, esta obra deveria ser uma «obra de príncipe» e, para isso, procurou os melhores artistas. A arquitectura da Igreja foi desenhada pelo arquitecto Miguel de Lascoal. O trabalho da pedra foi entregue aos mestres pedreiros Pascoal Fernandes, do Porto e Estêvão Moreira, da Maia.
Em 1698, no dia 19 de Março, a igreja foi sagrada sendo Arcebispo de Braga, D. João de Sousa.
Esta Igreja está classificada, desde o dia 29 de Setembro de 1977, como «Monumento de Interesse Público Nacional».
Na Fachada, que conjuga o maneirismo jesuítico e o Barroco, podemos encontrar duas inscrições (1 - «D. Luís de Sousa, arcebispo de Braga e Senhor de Braga, Primaz das Espanhas e do Conselho Real de Sua Majestade» / 2 - «Este templo foi erigido quase pelos fundamentos das ruínas do velho, foi dedicado a São Victor no ano da Encarnação do Senhor, 1686»); os nichos com as esculturas de dois arcebispos e também a cruz arquiepiscopal, encimando o frontão, embelezado pelas armas do Arcebispo fundador.
Dentro da Igreja imediatamente somos surpreendidos pelo completo revestimento a azulejo das suas paredes: são cerca de 11700 azulejos, de cor azul e branca. Os painéis da capela-mor representam cenas do martírio de S. Victor e os do corpo da igreja apresentam figuras de outros mártires e santos de toda a região de Braga. Entre todos os painéis, sobressai o da parte superior da parede do fundo do coro, representando S. Paterno, presidindo ao V Concílio de Toledo. Apesar de não existir assinatura destes azulejos, a maioria dos especialistas concluiu ser da autoria do espanhol Gabriel del Barco. Os azulejos foram colocados em 1692 por João da Costa Neto, mestre assentador natural de Vila do Conde.
O contrato para o Retábulo do altar-mor foi assinado em 1691 com Domingos Lopes, do Porto, mas a obra acabou por ser entregue, em 1695, ao entalhador bracarense Damião da Costa Figueiredo, porque o primeiro contrato, com Domingos Lopes, não foi executado pelo entalhador.
O órgão de tubos foi mandado construir pela Confraria do Santíssimo Sacramento, no ano de 1815. Entre cornetas e tubos deve ter aproximadamente 600. É obra de Manuel de Sá Couto. O coreto sobre o qual está assente o órgão foi construído por Bernardo Fernandes.
O sanefão é uma obra-prima de talha, mais recente, saída das mãos de artistas bracarenses, muito provavelmente nos primeiros anos do século XX.
A actual fonte baptismal chama a nossa atenção pela qualidade do mármore usado na sua construção e pela perfeição do trabalho. É coberta por uma artística tampa em pau preto, datada de 1908.
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